
"Num indo e vindo, do infinito..."
Os mares interiores compõem o oceano que habita em
nós, eu sei! Diferentes salinidades e profundidades
caracterizam-nos e nos fazem senhores da
contradição...
Somos o mesmo Mar Oceano que imaginavam os europeus
emergindo da medievalidade. Desconhecido. Profundo.
Revolto. Repleto de monstros. Paradoxais.
Ora me encontro distante e alheia a imensidão ora azul
ora verde... Num estado de estagnação que não me
permite ousar içar velas para conhecê-lo mais um
pouco, além daqui... Sigo com o vento e a correnteza,
apenas.
O horizonte que sempre escapa à nossa tentativa de
toque não me instiga mais como antes, é como se
houvesse a certeza de que tudo vai ser igual...
Mas assim é que seguimos e, por negação ou
identificação, vamos compondo essa colcha de retalhos
que somos nós... Imersos na ilusão maior, que é a
existência humana.
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Lua Adversa
Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
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